segunda-feira, 16 de julho de 2007

Parti um dia


Parti um dia
sem ninguém saber.
Andei pelo mundo
por ruas enormes,
por cantos perdidos,
por sentimentos celestes.
Banhei meu corpo
em salgado mar
troquei segredos
tremi meus medos
aqueci-me na chama
da sensualidade pura
perfumei-me
no fim de um tarde
em alfazema ou jasmim
e gemi suspiros
de tranquilidade consumada..

domingo, 15 de julho de 2007

musica ** Luis Represas

sábado, 14 de julho de 2007

musica ** Pedro Abrunhosa

Sou ave Ferida

Sou ave ferida
em azul celeste, cinzento.
Penso, mas não existo...
Existo em mim, mas não penso.
Procuro fragmentos de equilíbrio,
prefiro a solidão ao desencontro.
Sou presa fácil
do destino marcado.
Quero, desejo... mas não sinto
esse sabor doce de quimera.
Sou tão somente eu,
sem mais nada, sem protecção.

Nasci do nada
e ao nada hei-de voltar.

Se me queres conhecer

Se me queres conhecer...
rompe as barreiras da indiferença,
destrói as vestes da altivez
e encontra-me.

Se me queres conhecer...
rasga-me, retalha-me,
procura mil chagas no meu corpo
e encontra-me.

Se me queres conhecer...
embriaga-me do teu carinho
ama-me com fúria
e encontra-me.

Remexe artérias e veias
e encontra a razão da minha existência.

Se me desejas conhecer...
deixa que eu te toque
com mil pétalas de bem te quero.

Se me desejas
como eu te desejo tanto,
funde-te em mim,
deixa-me ser tua,
e então conhecer-me-ás.

Não sei


Não sei o que sou,
não sei porque escrevo.
Apenas sinto esta necessidade
de catapultar o pensamento.
Embriago-me de emoções,
converto-as em palavras.
Existo, penso, mas não consigo
a simbiose desta essência.

Signos soltos em cascata
é um limite que não controlo.
Sei do meu limite
e entrelaço-me nesta confusão.
Sou apenas o meu ouvinte
porque ouvintes eu não desejo.

Apenas o querer
transpor o que me falta,
a vida que corre em desencontros.
É este bicho que me possui.
São rabiscos mal escritos
pela sensibilidade.
Sou eu. Não sei ser diferente.

musica ** Manuel Freire

Existências

Existências!

Segmentos de rectas

que se cruzam no espaço

de um existir.

Convergem para outros

pedaços de existências.

E cruzam-se e entrecruzam-se.

Desencontros, linhas paralelas

que nunca se tocam.

E de novo a solidão.

Segmento de recta,

só, simplesmente só,

num universo de segmentos

que declinam o futuro

num impossível encontro.