domingo, 5 de agosto de 2007
Sabe-me a sal
dor fingida.
Sabe-me a vazio
dor simulada.
Ando, tropeço, em silêncio
persigo-te na escuridão
de uma mágoa forjada.
Conheci-te companheiro
na berma de uma estrada.
Deambulavas perdido
na imensidão da tua dor.
Parei. Cobri-te com a minha
manta retalhada de consolo.
Tão pouco, quase nada...
E ficou-me este vazio
de te ver apenas partir
tão pobre do que te ofereci,
tão rico de solidão.
E eu... somente te vi passar.
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Rosa Maria Anselmo
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16:58
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sábado, 4 de agosto de 2007
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
É o cheiro
que cobre
a noite,
a madrugada.
É feliz
quem saboreia
apenas e só
esse cheiro
que envolve
a neblina
de uma manhã
tão tardia,
tão quieta...
E o cheiro
da maré vaza,
do sossego
de uma paz
que tardou
a chegar....
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Rosa Maria Anselmo
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22:55
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Bom dia amargura
Tão cedo me visitas,
ainda é madrugada sabias?
Meu rosto ensonado
não te vê com nitidez.
De que forma vens vestida?
De ilusão, de revolta?
A tua cor é tão amarga...
Bom dia amargura!
Deixa-me dormir mais um pouco
o sol ainda não nasceu.
Ah, já sei
recordações me trazeis.
Terra longínqua
terra de sonho
terra sublime
país destruído por Ti.
Deixa-me voltar
suplico-te, por um só momento
vergo-me em joelhos
imploro-te, amargura.
Sabes? és cruel,
ficas zangada, que importa...
és insaciável.
Deixa-me, volta mais tarde
prefiro a solidão a ti.
Amargura, bom dia!
Voltaste tão cedo...
O botão ainda não floriu,
volta quando ele já não for rosa.
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Rosa Maria Anselmo
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22:47
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quinta-feira, 2 de agosto de 2007
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Deixa-me dizer-te
que tenho tantas saudades de ti!
Não me apercebi,
mas fui enfeitiçada
pela tua doçura,
ar gaiato e traquina,
olhar furtivo e terno.
Deixa-me dizer-te
que eras o meu sol,
alimento da minha pele,
agasalho da minha alma.
Como tenho saudades de ti!
E este vazio que teima
em não me abandonar...
Procuro-te com os olhos,
procuro-te em soluços,
adivinho teu passo ligeiro,
sinto ainda o cheiro
do teu corpo frágil,
dedicado e tão doce.
Como te amo!
Como tenho saudades de ti!
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Rosa Maria Anselmo
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22:00
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Vento agreste

O frio chegou novamente.
Treme o corpo ao vento agreste
que se entranha nos poros contraídos
sem protecção, sem medos.
Pedaços de um agasalho
já tão gasto desse frio inconstante,
que não aquece, arrefece.
E treme de novo o corpo.
Já é hábito, não o incomoda.
Mas faz tanto frio!
É gélida a nostalgia do momento,
é sulco que se forma pelo desgaste,
é emoção perdida, que não se encontra,
é vã a procura de uma chama.
E o corpo treme de novo
pelo frio que já não o encontra.
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Rosa Maria Anselmo
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21:54
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domingo, 29 de julho de 2007
No sótão dos enigmas
emergem fantasmas
nascidos de ninguém.
De rosto ainda sujo,
procuro em secretos baús
memórias cor de rosa.
São poucas e tantas.
Mas ora a cor muda,
ora o sótão fica escuro.
E, de olhos vendados
naquela escuridão clara,
encontro, numa fenda
de uma caixa amarelecida,
o sorriso de uma gaiata
numa fotografia gasta
que ainda resiste
à vontade e ao tédio.
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Rosa Maria Anselmo
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00:30
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sexta-feira, 27 de julho de 2007
quinta-feira, 26 de julho de 2007
Quietude da noite

Resta-me o desassossego
desta tremenda solidão.
Encontro-me atordoada
no ponto de partida
sem hora de chegada.
Rasgo o oceano do vazio
que me banha, que me move
nesta estrada deserta.
Aprendo o som melancólico
do monólogo.
E fantasio, e rio chorando
desta tristeza
que me alimenta.
Troco segredos comigo
temo meus medos
Não luto, não grito.
Emudeço
na quietude da noite
que já amanhece
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Rosa Maria Anselmo
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13:35
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Nina
Sou tão feliz. Sou uma de três irmãs. A mais velha tem oito anos e já estava lá em casa quando eu e a mana chegamos. Somos mais novinhas, temos quase três anos. A nossa mamã é de uma ternura e doçura que até inquieta o coração. Vivemos rodeadas de mimos e liberdade também. Não nos sentimos estranhas, fazemos parte de uma família feliz, equilibrada e de algum reboliço também. A hora da refeição é atribulada, todas queremos comer ao mesmo tempo e a mãe tem de por ordem na mesa. As visitas ao médico são obrigatórias e cumpre-se a rigor as ordens e medicamentos.À noite, é a parte do dia que mais gosto. Tomo banho com a minha mamã e adormeço no sofá bem coladinha ao seu colo. De vez em quando acordo porque a mana, a da minha idade, também quer o mesmo colinho e não sei como ela faz mas há sempre espaço para as duas. A mais velha já se foi deitar.
Sou tão feliz mesmo. Está quentinho aqui dentro, não tenho fome e sou tão amada. Quisera que todos os meninos do mundo fossem felizes assim.
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Rosa Maria Anselmo
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01:43
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quarta-feira, 25 de julho de 2007
musica ** Ana Carolina e seu Jorge
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Rosa Maria Anselmo
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00:50
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Marcadores: Musica
terça-feira, 24 de julho de 2007
Cálice
Enfeita-se um cálice
de flores silvestres,
mistura-se em areia fina,
conchas soltas de mar imenso.
Perfuma-se com gotas
de orvalho colhido
em madrugada fria e calma.
Serena e solene emudeço
entrançada nesta quietude.
Bebo deste cálice
qual licor divino
que me alimenta
como hóstia sagrada.
E humilde me quedo
nesta paz concedida.
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Rosa Maria Anselmo
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16:33
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