domingo, 7 de outubro de 2007
Adormeci enrodilhada

Adormeci enrodilhada
em vestes de cerimónia.
Era preta e de renda
a preceito, mas singela.
Pouco importa agora
se o bordado é de cetim,
se a noite antecede o dia
ou o dia vem depois da noite.
Perdi o sentido do tempo
das horas, dos soluços,
por tanto palmilhar
cantando teu nome,
chorando à lua,
dormindo abraçada
ao sonho que já eras.
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Rosa Maria Anselmo
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14:15
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Marcadores: Sinais do Silêncio
sábado, 6 de outubro de 2007
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Calo a raiva

Calo a raiva
que tolda os sentidos
grito
um grito dilacerante
que me dói
tão fundo
tão profundo!
As palavras são nenhumas,
gelam-se
na saliva inexistente,
seca-se a boca
qual fonte quebrada…
São cardos
são espinhos,
fragmentos que mutilam
rasgam a carne
em sangue vivo.
Ai, dor dorida…
tivesse morrido ontem
que a luz hoje
não a enxergo!
          Ceguei tragicamente.
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Rosa Maria Anselmo
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22:19
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quinta-feira, 4 de outubro de 2007
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Seremos deuses

Seremos deuses,
deuses da ignorância,
cativos na perfeição impar
de quem humano é.
Num patamar distante,
quase intocável te colocas
deus da irreverência.
Calas a fome
escalando horas de prazer,
pulas no tempo
como saltimbanco…
…vais ao céu num gemido
e voltas alado…
chicoteando solos sagrados
profanando-os
na tranquilidade da tua demência.
Mas, mesmo assim
somos deuses sim
de uma imitação menor,
trocamos os frios de inverno
por sois antecipados
de um verão que já não acontece.
E assim…
aclamamos
a nossa imortalidade.
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Rosa Maria Anselmo
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21:48
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terça-feira, 2 de outubro de 2007
Cubro o corpo com vestes

Cubro o corpo com vestes
feitas de sonhos
matizo as faces
em tons de sedução
e desejos desapegados.
Nos olhos, pinturas que ondeiam
entre o verde esperança
e branco cetim.
As mãos adorno-as
de orgasmos de sabores
devorados numa tarde
já tão serôdia,
que o vermelho
enfeitava o horizonte.
Meu andar, tecido exótico
tão erótico, que te queimas.
Noite adentro
sou serva, dama,
e orgíaca
Apetece-me ser assim...
tão devassa, impudica
quebrada, sem elos
que me sustentam
neste soturno soluço.
Sou aquela
sim….
a prostituta
…e também choro!
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Rosa Maria Anselmo
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14:23
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segunda-feira, 1 de outubro de 2007
domingo, 30 de setembro de 2007
Quem és tu
Quem és tu
que me atormenta
inquieta
fascina?
Sorvo gota a gota
do teu imaginário
e deambulo,
- numa paixão que me queima -
nas palavras
incógnitas
dualistas.
Quero perder-me
nesse universo desconhecido,
embriagar-me
desmaiando de plenitude.
Convida-me
para entrar
nesse castelo só teu,
onde o conhecimento
é servido em taças
do mais fino cristal.
Teus lábios
sabem a doce poesia.
Deixa-me fazer-te companhia.
No mais profundo silêncio
te escutarei,
flutuando extasiada,
impregnando-me
do teu perfume
misterioso, provocante,
que desperta
a minha ignorância
do saber
que quero possuir.
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Rosa Maria Anselmo
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16:40
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quinta-feira, 27 de setembro de 2007
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Jogo de palavras
Jogo de palavras
meticulosamente calculadas
a ferro e fogo,
mascaram-se
na ferrugem da cobardia,
na chama da carnalidade.
Regressa a rotina
do imperceptível charme,
brilho imundo
no olhar dissimulado.
Nas mãos,
de unhas limadas
e verniz transparente,
o vício
toca as teclas do anonimato,
vomita poesia enlatada
em frases obscenas,
provocadoras,
excitantes.
- É macho, muito macho!
Desprezível figura…
(não sabe ele que sou eu
do outro lado do vidro?)
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Rosa Maria Anselmo
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18:13
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Rodopia o vento

Rodopia o vento
gira a tempestade
e a bonança tarda a chegar.
Soltas as vontades
irreverências despertam.
E a atenção não é presente.
O jovem flutua
em espaços ambíguos,
lutam, imploram razões
que tardam a chegar.
Encontros ou desencontros
filosofias que alimentam
utopias desejadas.
Passos incertos
paredes escorregadias
atropelos que não se evitam.
E o adulto não sabe
o limite da impaciência.
Soltam as amarras
prendem a liberdade.
E o jovem perde-se
num espaço que não o procura
apenas o entrega
ao acaso dos momentos.
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00:25
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segunda-feira, 24 de setembro de 2007
A noite avança tranquila
e feiticeira
Os corpos tornam-se mel
provocante e irresistível.
Os olhares trocam-se
pecaminosamente tentadores.
A luz fascina rostos normais
transformando-os em belezas
selvagens, misteriosas.
A dança acontece em frenesim
descontrolado e desejado.
Bocas sedentas de tudo
sorriem em cascata hilariante.
Provoca-me que eu quero,
procura-me que eu desejo,
amanhã já é dia...
não te reconheço.
Sem a pintura da luz
sem as roupas retalhadas do sufoco
sem a magia envolvente das nossas noites
sou apenas o meu outro eu
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Rosa Maria Anselmo
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17:21
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sábado, 22 de setembro de 2007
Convida-me a dançar
Convida-me a dançar
abraça-me o corpo
ajusta-o ao teu
deixa-te experimentar
o cheiro, a pele,
o perfume
dos meus sentidos.
E baila
circunda nossos segredos
dando cor à dança
numa cascata
de sons
paixões e algemas.
Dança comigo
numa timidez atrevida,
numa fúria possuída
chicoteando
doces deleites.
E no ímpeto
de um febril devaneio
dir-te-ei:
- amanhã
voltarei a dançar
contigo,
por mim, por ti
numa sedução
acordada –
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Rosa Maria Anselmo
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15:36
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Desenho laços e fitas
com cores luminosas,
enfeito prendas
com bordados
de borboletas
e pétalas de rosas.
Numa caixa de música
a bailarina sou eu
e danço
rodopiando cantigas
de ternura,
pura magia,
como se o tempo
fosse só teu.
Guardado está
este beijo que te dou
em desenhos
e bordados
tocados, fadados
nesta sinfonia perfeita
de mim
para ti.
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Rosa Maria Anselmo
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12:42
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sexta-feira, 21 de setembro de 2007
Rói esta dor sem sentido
Rói esta dor sem sentido,
de mágoa, de perdição.
Escrevo-te como se outra fosse
e desespero na espera.
Olha-me,
.....
cobre meu corpo de mimos,
de poesia sem palavras,
de sentimentos
consentidos
como se os corpos
se fundissem
e o prolongamento de ti
fosse eu,
apenas eu
sem dúvidas,
sem feridas,
sem olhares tristes.
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Rosa Maria Anselmo
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18:40
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Não te vi hoje
Não te vi hoje
na esplanada de sempre
esperei impaciente
baloiçando pensamentos
entre a cólera e a pena.
Marginal, demoníaco
é fácil crucificar-te
opino com uma facilidade
que incomoda,
mas mesmo assim
classifico,
com autoridade de mestre,
a tua dignidade.
Frágil ou astuto
frio, desmedido
assim de trato por tu!
Olhas-me nos olhos
e dizes inquietante:
-Quem és?
-Sabes o que sou?
…
Contempla,
mas com minúcia.
-Sou o desconhecido!
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Rosa Maria Anselmo
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15:13
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terça-feira, 18 de setembro de 2007
Se houver próxima vez

Se houver próxima vez
procura-me,
estarei algures
entre um sorriso
ou uma lágrima,
na companhia
de um vento macio
como a tua pele.
Na próxima vez
serei eu a pedir perdão
por não te ter encontrado
nesta imensidão
das luzes da ribalta
- espero,
enquanto não vou,
não me perder de ti -
Porque
da próxima vez,
te prometo
vou encontrar-te.
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Rosa Maria Anselmo
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23:00
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