segunda-feira, 15 de outubro de 2007
domingo, 14 de outubro de 2007
Correm lágrimas

Correm lágrimas
pelas veias…
Deveriam ter sangue
vermelho ou azul
mas não.
São lágrimas salgadas
líquidas de medos
numa urgência
grávida de tédios
flocos, bolhas
novelos
enredos de espasmos.
Seguem o curso inverso
da corrente sanguínea
o coração não é o seu destino…
Andam á deriva
na babilónia dos gemidos
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Rosa Maria Anselmo
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00:47
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sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Não te reconheço na tua maturidade
Não te reconheço na tua maturidade!
Tonta, enfraquecida nas ilusões da quimera,
da fantasia que controlas sem controle.
                                  Ver-te... apenas e só
Sequência de sonhos descontrolados
repletos de teias de encanto.
É a fantasia que alimenta algo
que só a fantasia sabe criar.
É o doce encontro de pétalas
que se tocam à distância.
São frases soltas, mas cheias de incógnitas,
misteriosas, de mel doce, provocante.
É o desejo de saltar o estipulado,
de contrariar o desejo da ilusão
que ilude sentidos desfalecidos e doces.
É o sabor de tempestade
que espera calmaria.
É sol que brilha
numa nuvem tão espessa...
É o sorriso da apatia
cândida e apaixonada da adolescência...
Sente-se, abençoada quietude
de dor, sem dor....
apenas chama que arde
e consome a vontade de não sentir.
                                  Ver-te... apenas e só!
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Rosa Maria Anselmo
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18:48
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Beija meus lábios

Beija meus lábios
molhados
salgados
doces.
Toca meu rosto
faminto do teu olhar.
Dança teus dedos
no meu cabelo
solto
irreverente.
Sorri
ao meu sorriso.
       Deseja...
           ...meu desejo.
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Rosa Maria Anselmo
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19:18
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terça-feira, 9 de outubro de 2007
Daqui, de onde te nao vejo

Daqui, de onde
te não vejo
o olhar fragmenta-se
em vidros obscuros
ou em brumas…
…
…correm prantos
neste peito agitado
por ti esperando
num aperto tão suspenso
que não sinto
não vislumbro
a fome da minha pele.
Seco, esmorecido,
amarfanha-se o desejo apagado
que balanceia
cachoeiras de enleios
nesta noite tão densa
tão insana,
que os olhos cerram-se
numa clausura amnésica
da espera.
                Esse teu perfume
                já não o reconheço…
                desfigurou
                o cheiro da tua pele!
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Rosa Maria Anselmo
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19:30
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segunda-feira, 8 de outubro de 2007
No labirinto do silêncio
balança a dança
dos sinais
de olhares coloridos
á pressa,
numa mescla
de alegrias
e desventuras.
Nesse labirinto,
desencontro
o caminho perfeito
e numa roda
que rola, enrola,
rebola ,
volto
numa volta tardia
ao ponto de partida.
Silêncio
prazer
volúpia
o encontro secreto
contigo…
...
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Rosa Maria Anselmo
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17:11
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domingo, 7 de outubro de 2007
Adormeci enrodilhada

Adormeci enrodilhada
em vestes de cerimónia.
Era preta e de renda
a preceito, mas singela.
Pouco importa agora
se o bordado é de cetim,
se a noite antecede o dia
ou o dia vem depois da noite.
Perdi o sentido do tempo
das horas, dos soluços,
por tanto palmilhar
cantando teu nome,
chorando à lua,
dormindo abraçada
ao sonho que já eras.
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Rosa Maria Anselmo
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14:15
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sábado, 6 de outubro de 2007
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Calo a raiva

Calo a raiva
que tolda os sentidos
grito
um grito dilacerante
que me dói
tão fundo
tão profundo!
As palavras são nenhumas,
gelam-se
na saliva inexistente,
seca-se a boca
qual fonte quebrada…
São cardos
são espinhos,
fragmentos que mutilam
rasgam a carne
em sangue vivo.
Ai, dor dorida…
tivesse morrido ontem
que a luz hoje
não a enxergo!
          Ceguei tragicamente.
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Rosa Maria Anselmo
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22:19
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quinta-feira, 4 de outubro de 2007
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Seremos deuses

Seremos deuses,
deuses da ignorância,
cativos na perfeição impar
de quem humano é.
Num patamar distante,
quase intocável te colocas
deus da irreverência.
Calas a fome
escalando horas de prazer,
pulas no tempo
como saltimbanco…
…vais ao céu num gemido
e voltas alado…
chicoteando solos sagrados
profanando-os
na tranquilidade da tua demência.
Mas, mesmo assim
somos deuses sim
de uma imitação menor,
trocamos os frios de inverno
por sois antecipados
de um verão que já não acontece.
E assim…
aclamamos
a nossa imortalidade.
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Rosa Maria Anselmo
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21:48
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terça-feira, 2 de outubro de 2007
Cubro o corpo com vestes

Cubro o corpo com vestes
feitas de sonhos
matizo as faces
em tons de sedução
e desejos desapegados.
Nos olhos, pinturas que ondeiam
entre o verde esperança
e branco cetim.
As mãos adorno-as
de orgasmos de sabores
devorados numa tarde
já tão serôdia,
que o vermelho
enfeitava o horizonte.
Meu andar, tecido exótico
tão erótico, que te queimas.
Noite adentro
sou serva, dama,
e orgíaca
Apetece-me ser assim...
tão devassa, impudica
quebrada, sem elos
que me sustentam
neste soturno soluço.
Sou aquela
sim….
a prostituta
…e também choro!
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Rosa Maria Anselmo
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14:23
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segunda-feira, 1 de outubro de 2007
domingo, 30 de setembro de 2007
Quem és tu
Quem és tu
que me atormenta
inquieta
fascina?
Sorvo gota a gota
do teu imaginário
e deambulo,
- numa paixão que me queima -
nas palavras
incógnitas
dualistas.
Quero perder-me
nesse universo desconhecido,
embriagar-me
desmaiando de plenitude.
Convida-me
para entrar
nesse castelo só teu,
onde o conhecimento
é servido em taças
do mais fino cristal.
Teus lábios
sabem a doce poesia.
Deixa-me fazer-te companhia.
No mais profundo silêncio
te escutarei,
flutuando extasiada,
impregnando-me
do teu perfume
misterioso, provocante,
que desperta
a minha ignorância
do saber
que quero possuir.
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Rosa Maria Anselmo
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16:40
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quinta-feira, 27 de setembro de 2007
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Jogo de palavras
Jogo de palavras
meticulosamente calculadas
a ferro e fogo,
mascaram-se
na ferrugem da cobardia,
na chama da carnalidade.
Regressa a rotina
do imperceptível charme,
brilho imundo
no olhar dissimulado.
Nas mãos,
de unhas limadas
e verniz transparente,
o vício
toca as teclas do anonimato,
vomita poesia enlatada
em frases obscenas,
provocadoras,
excitantes.
- É macho, muito macho!
Desprezível figura…
(não sabe ele que sou eu
do outro lado do vidro?)
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Rosa Maria Anselmo
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18:13
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