sexta-feira, 26 de outubro de 2007
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Esqueci o teu nome
Esqueci o teu nome,
lembro apenas o rosto
e as lágrimas
que caíram nas minhas mãos.
Abraçavas a morte e o desamor
numa balada imperfeita
em tons de enredos mentais
tão dolorosos.
Afaguei ao de leve
teu verde olhar,
que de tão verde
a esperança se despiu
-vestiu-se de negro.
Não fiz parte desse quadro
pincelado rudemente
com bofetadas alisadas
por silêncios suicidas.
Paralisada, amarfanhada
de mim, fui autista.
Esqueci o teu nome,
guardei tuas lágrimas
e com elas me lamento.
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Rosa Maria Anselmo
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11:32
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terça-feira, 23 de outubro de 2007
Junto faces cristalinas
Junto face cristalina
na tua mão aberta,
perco meus medos
e rendo-me dócil
numa aurora dengosa.
Em traje de guerreira
sem lanças
sem punhais…
apenas lenços de cetim
guardam beijos de paixão
dobrando as horas
do encontro clandestino.
Nessa tua mão aberta,
deposito minha virgindade
e entre o nevoeiro
moldas as tuas mãos
no volume deste corpo
que flutua,
na cumplicidade do luar
no imenso e no tanto…
na dança dos adormecidos.
E eu…
fico desperta,
esperando a madrugada
de todos os outros dias.
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Rosa Maria Anselmo
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19:02
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Sente o cheiro das lágrimas

Sente o cheiro das lágrimas,
procura no jardim
a flor mais lassa
e vais perceber
que aí, eu estou.
A luz deve estar
ainda acesa
entre as duas e as três
- sabes que deambulo
perdida nas minhas insónias,
encontrada nos mimos
que o silêncio me oferta -.
Pensa,
pensa em mim
mas sem mágoas,
porque essas,
levei-as comigo
para não te atormentares.
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Rosa Maria Anselmo
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15:23
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Quarteto- Vanda - Vera - Manuela - Rosa Maria
Desconhecido
Dispo-me de sentimentos
roço nas esquinas da alma
levo espumante para saciar tua pele
-entorna-o no meu corpo
lascivo, provocante.
Beija meus lábios de morango
com o chantilly da tua boca,
vem, toma-me como tua
ficarei nua nos teus versos
possui este corpo que te grita
-Sou selvagem devora-me!
Faz do teu corpo o meu lençol,
adoça-me em delírio
sem juízo, sem limites
alaga-me em sorrisos e desejos
como se mais nada importasse...
Faz-me tua, nesta maresia de sentidos,
louca loucura tua, amante.
E sem receio da alma nua,
descobre os segredos contidos
quebra-me a rocha do silêncio e vem
viril, macho,
… meu desconhecido.
Apeteceu-me recordar uma louca noite, entre gargalhadas e pura amizade.... nasceu assim este poema "Desconhecido", feito a quatro mãos! Ah... este poema foi lido no almoço do lançamento do livro da Manuela, para todos os presentes! Um beijinho a cada uma de vós.
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Rosa Maria Anselmo
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12:51
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domingo, 21 de outubro de 2007
Feitiço quebrado

Feitiço quebrado
abençoado,
sonhos sonhados
numa redoma de vidro
qual princesa desperta
por mágico ósculo de vida.
Ternura
em chuva de sorrisos
te ofereço.
E…
quedo-me
solene,
nesta abençoada
dádiva
de quem de ti
espera
desesperando
um olhar,
um sinal
um toque de encanto!
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Rosa Maria Anselmo
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12:26
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007
In(quieta)

Inquieta
deambulo pela areia fina
de uma praia
que se espreguiça
tão longe que toca o horizonte.
Quieta fico,
absorta num silêncio
tão desesperadamente
desejado
reencontrado.
Quieta espero,
num acto inocente,
a partilha
da nostalgia do momento
neste encontro suspirado.
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Rosa Maria Anselmo
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23:53
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terça-feira, 16 de outubro de 2007
Bailamos

Bailamos
numa sequência trémula,
no frenesim do toque
que só acontece
depois…
do fingimento
de uma timidez propositada.
Nos sinais
que o íntimo permite,
saboreamos
um turbilhão silencioso
na loucura
de loucos amantes,
saciando
na penumbra libidinosa,
lasciva,
devaneios
secretos
em espasmos de corpos
numa redenção
calma….
quase cândida.
Segredos bebidos
em cálices de erotismo
á luz do luar.
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Rosa Maria Anselmo
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19:48
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Dueto - Manuela Fonseca e Rosa M. Anselmo
Ganho o mar dentro do peito
Alio-me aos Peixes de sentir
Margens inequívocas de lodo
Estendidas em amanheceres cristais
Ou em noites de Vendavais
Onde a dor se cola à minha Cruz
E eu bato à tua porta
Num sereno Truz-Truz...
Abri-te a porta
Abracei a tua dor
Ofereci-me de sacrifício
No altar da tua cruz
E no amanhecer do amanhã
Serei eu
A onda desse mar
Que alimentará teu peito
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Rosa Maria Anselmo
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16:41
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segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Solto as asas

Solto as asas
num tormento dormente
e sufoco
num pesar que agonia.
O azul dos teus olhos
percorre espaços invisíveis,
flagela
emudece.
Choro contida de raiva,
queria que a vida
não te fugisse assim
meu querido,
meu anjo.
Ainda a noite não caiu,
chega-te a mim
aquece-te no meu calor
suspira...
Mas
suspira por mim.
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Rosa Maria Anselmo
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00:25
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domingo, 14 de outubro de 2007
Correm lágrimas

Correm lágrimas
pelas veias…
Deveriam ter sangue
vermelho ou azul
mas não.
São lágrimas salgadas
líquidas de medos
numa urgência
grávida de tédios
flocos, bolhas
novelos
enredos de espasmos.
Seguem o curso inverso
da corrente sanguínea
o coração não é o seu destino…
Andam á deriva
na babilónia dos gemidos
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Rosa Maria Anselmo
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00:47
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sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Não te reconheço na tua maturidade
Não te reconheço na tua maturidade!
Tonta, enfraquecida nas ilusões da quimera,
da fantasia que controlas sem controle.
                                  Ver-te... apenas e só
Sequência de sonhos descontrolados
repletos de teias de encanto.
É a fantasia que alimenta algo
que só a fantasia sabe criar.
É o doce encontro de pétalas
que se tocam à distância.
São frases soltas, mas cheias de incógnitas,
misteriosas, de mel doce, provocante.
É o desejo de saltar o estipulado,
de contrariar o desejo da ilusão
que ilude sentidos desfalecidos e doces.
É o sabor de tempestade
que espera calmaria.
É sol que brilha
numa nuvem tão espessa...
É o sorriso da apatia
cândida e apaixonada da adolescência...
Sente-se, abençoada quietude
de dor, sem dor....
apenas chama que arde
e consome a vontade de não sentir.
                                  Ver-te... apenas e só!
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Rosa Maria Anselmo
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18:48
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Beija meus lábios

Beija meus lábios
molhados
salgados
doces.
Toca meu rosto
faminto do teu olhar.
Dança teus dedos
no meu cabelo
solto
irreverente.
Sorri
ao meu sorriso.
       Deseja...
           ...meu desejo.
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Rosa Maria Anselmo
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19:18
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terça-feira, 9 de outubro de 2007
Daqui, de onde te nao vejo

Daqui, de onde
te não vejo
o olhar fragmenta-se
em vidros obscuros
ou em brumas…
…
…correm prantos
neste peito agitado
por ti esperando
num aperto tão suspenso
que não sinto
não vislumbro
a fome da minha pele.
Seco, esmorecido,
amarfanha-se o desejo apagado
que balanceia
cachoeiras de enleios
nesta noite tão densa
tão insana,
que os olhos cerram-se
numa clausura amnésica
da espera.
                Esse teu perfume
                já não o reconheço…
                desfigurou
                o cheiro da tua pele!
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Rosa Maria Anselmo
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19:30
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segunda-feira, 8 de outubro de 2007
No labirinto do silêncio
balança a dança
dos sinais
de olhares coloridos
á pressa,
numa mescla
de alegrias
e desventuras.
Nesse labirinto,
desencontro
o caminho perfeito
e numa roda
que rola, enrola,
rebola ,
volto
numa volta tardia
ao ponto de partida.
Silêncio
prazer
volúpia
o encontro secreto
contigo…
...
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Rosa Maria Anselmo
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17:11
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domingo, 7 de outubro de 2007
Adormeci enrodilhada

Adormeci enrodilhada
em vestes de cerimónia.
Era preta e de renda
a preceito, mas singela.
Pouco importa agora
se o bordado é de cetim,
se a noite antecede o dia
ou o dia vem depois da noite.
Perdi o sentido do tempo
das horas, dos soluços,
por tanto palmilhar
cantando teu nome,
chorando à lua,
dormindo abraçada
ao sonho que já eras.
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Rosa Maria Anselmo
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14:15
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