segunda-feira, 19 de novembro de 2007

São coisas menores

São coisas menores,
migalhas de pássaro livre
que esvoaça no céu
onde teu olhar se inclina.
Em suspiros doces,
feitos de néctar de flores dispersas,
quebranto-me
em nicho de esperança
e sonhos utópicos
de noites partilhadas.
O vento diz-me teu nome
amaciando a quentura
da minha espera.

Esta noite
serão coisas maiores,
as migalhas
soltei-as em chão que fará brotar
saudade em forma de rosas.

domingo, 18 de novembro de 2007

Um ser

Um ser
apenas carente
talvez sem significado
de existir.
Cansado, rigoroso.
não tentes conhecê-lo,
não tentes cativá-lo.
Procura nas suas chagas
e certamente
encontrarás um porquê

              (a vida o que é senão,
              mais um passo certo para a morte?)

Que a morte venha longe.

Não procures certezas
na sua vida incerta
Tenta amá-lo, receberás desconfiança.
Brinca com ele, cavarás mais depressa
a sepultura da sua existência
sem motivo, sem sentido.
Procura nos confins da noite
o seu leito
a sua marginalidade
e vais encontrá-lo..

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Acende

Acende
reacende o desejo contido
de estar nos teus braços
em favos de mel
construídos beijo a beijo.
Deposita teu desejo
possui-me
desmedida e
furiosamente.
Lembra
relembrando-me
toques secretos
suores viscerais
e em diadema de amor
construiremos afagos
em edifício sagrado
de corpos nus, entrelaçados
em sargaço de paixão
num delírio feroz
de amor, prazer
delícia divina.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Não adormeças


Não adormeças
nas palavras não ditas
nos silêncios propositados,
olhares desvalidos
em malmequer de saudades.
No abraço sentido
ainda não tocado,
- só nas margens deste querer
vou-me entregando
lenta, lentamente
num diálogo consentido
em jardins de rosas
até a noite tocar o sol,
no silencioso desconhecimento
de mim…
Não adormeças
sem que nossas íris se encontrem
e no contiguidade
que o oceano nos promete,
fugitiva não serei
do charme que me ofereces
em tapetes de sedução,
serenatas em forma de seixos lisos
prendas de mar …

…que nos estreita.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Quero perder os sentidos

Quero perder os sentidos
nesta paixão
consumida
pelas teias do esquecimento.
Vibrar no encanto
do reencontro.
Adormecer sonhando
teu rosto juvenil
que o tempo
tornou desconhecido.
Dói esta dor
de nada sentir.
Mágoa adormecida,
anestesiada,
escondida simplesmente
num esquecimento
consciente.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Procuro no encontro do silêncio


Procuro no encontro do silêncio
uma ausência disfarçada de queixume.
Divago nas ondas de um céu anilado
o meu corpo desnudado de inocência.
Encontro conchas herméticas,
tropeço na espuma da memória,
emudeço no reencontro de uma luz.

Andorinha presa
desejosa de voar sem rumo
à procura de um utópico lugar.

E as asas, essas agrilhoadas
por medos, contradições e ânsias
disfarçadas numa atitude altiva
de capa impermeável
e limites limitados.

domingo, 4 de novembro de 2007

musica ** Whitney Houston

sábado, 3 de novembro de 2007

Solto-me em dança



Solto-me em dança
esta noite.
O lago do meu corpo
espera-te
neste labirinto de desejos.

Trémula,
me entrego a ti
que não tens face…

teu rosto surge
da vigília nocturna.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

02 de Novembro

Nesta saudade renovada
dia a dia,
florescem sinais no horizonte
tão pequenos,
tão singulares
que me fazem ir ao teu encontro.
Aqui estou
numa tagarelice ligeira,
tratando por tu
as coisas do presente.
As rosas, sempre vermelhas,
fazem-nos companhia
abrem-se á frescura do diálogo.
O sol, esse não fugiu,
oferece-nos o calor
que nos falta….
E esta brisa,
que por nós passa ,
nos trespassa,
alegra-se
pelos sorrisos trocados.
Sim, aqui estou!

          Sentada na laje preta,
           granítica,
            que cobre o teu corpo.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Nas orlas de um tempo lento

Nas orlas de um tempo lento,
num rosário de penas
em forma de lágrimas,
aí…
ajustar-me-ei descalça
na fragilidade do meu querer
ou na fragrância
da minha timidez.
Desenharei, em círculos
e voos rasgados,
o meu sorriso frágil,
envergonhado.

Aqui,
na janela do teu ser
ficarei…

retida,
(numa partida adiada)

à espera
que me aprendas!

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Não me apresses



Não me apresses
que estou calma,
calada
para todos me ouvirem.
Os momentos desta espera
são únicos,
não te impacientes
ficarei calma assim:

sossegadamente
silenciosa.

         (dela
          tenho sede)

Olha-me com atenção,
que desatentos
não quero mais.

sábado, 27 de outubro de 2007

A manhã aclarara

A manhã aclarara,
o barulho da madrugada
tinha agora um ritmo contagiante.
Rostos sonolentos,
pinturas ainda frescas,
sorrisos envergonhados,
livros abertos nas mãos,
numa última leitura apressada.
Aninhava-se a criança
no regaço doce e quente,
como se o joão-pestana
não a tivesse despertado.
Faziam todos eles,
parte desta aguarela
colorida à pressa....

E na curva do relógio,
estúpido,
estavas lá.
De mochila ao ombro,
sorriso ao fundo da vida,
monstro,
vi bem o teu rosto.

Morri ontem
e não pereci sozinho.
Foram muitos
os companheiros
desta viagem
sem bilhete de regresso.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

musica ** Roxette

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Esqueci o teu nome

Esqueci o teu nome,
lembro apenas o rosto
e as lágrimas
que caíram nas minhas mãos.
Abraçavas a morte e o desamor
numa balada imperfeita
em tons de enredos mentais
tão dolorosos.
Afaguei ao de leve
teu verde olhar,
que de tão verde
a esperança se despiu

-vestiu-se de negro.

Não fiz parte desse quadro
pincelado rudemente
com bofetadas alisadas
por silêncios suicidas.
Paralisada, amarfanhada
de mim, fui autista.

Esqueci o teu nome,
guardei tuas lágrimas
e com elas me lamento.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Junto faces cristalinas


Junto face cristalina
na tua mão aberta,
perco meus medos
e rendo-me dócil
numa aurora dengosa.
Em traje de guerreira
sem lanças
sem punhais…
apenas lenços de cetim
guardam beijos de paixão
dobrando as horas
do encontro clandestino.
Nessa tua mão aberta,
deposito minha virgindade
e entre o nevoeiro
moldas as tuas mãos
no volume deste corpo
que flutua,
na cumplicidade do luar
no imenso e no tanto…
na dança dos adormecidos.

E eu…

fico desperta,
esperando a madrugada
de todos os outros dias.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Sente o cheiro das lágrimas


Sente o cheiro das lágrimas,
procura no jardim
a flor mais lassa
e vais perceber
que aí, eu estou.
A luz deve estar
ainda acesa
entre as duas e as três

- sabes que deambulo
perdida nas minhas insónias,
encontrada nos mimos
que o silêncio me oferta -.

Pensa,
pensa em mim
mas sem mágoas,
porque essas,
levei-as comigo
para não te atormentares.

Quarteto- Vanda - Vera - Manuela - Rosa Maria

Desconhecido

Dispo-me de sentimentos
roço nas esquinas da alma
levo espumante para saciar tua pele
-entorna-o no meu corpo
lascivo, provocante.

Beija meus lábios de morango
com o chantilly da tua boca,
vem, toma-me como tua
ficarei nua nos teus versos
possui este corpo que te grita

-Sou selvagem devora-me!

Faz do teu corpo o meu lençol,
adoça-me em delírio
sem juízo, sem limites
alaga-me em sorrisos e desejos
como se mais nada importasse...
Faz-me tua, nesta maresia de sentidos,
louca loucura tua, amante.

E sem receio da alma nua,
descobre os segredos contidos
quebra-me a rocha do silêncio e vem
viril, macho,

… meu desconhecido.



Apeteceu-me recordar uma louca noite, entre gargalhadas e pura amizade.... nasceu assim este poema "Desconhecido", feito a quatro mãos! Ah... este poema foi lido no almoço do lançamento do livro da Manuela, para todos os presentes! Um beijinho a cada uma de vós.

domingo, 21 de outubro de 2007

Feitiço quebrado


Feitiço quebrado
abençoado,
sonhos sonhados
numa redoma de vidro
qual princesa desperta
por mágico ósculo de vida.
Ternura
em chuva de sorrisos
te ofereço.
E…
quedo-me
solene,
nesta abençoada
dádiva
de quem de ti
espera
desesperando
um olhar,
um sinal
um toque de encanto!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

In(quieta)


Inquieta
deambulo pela areia fina
de uma praia
que se espreguiça
tão longe que toca o horizonte.

Quieta fico,
absorta num silêncio
tão desesperadamente
desejado
reencontrado.

Quieta espero,
num acto inocente,
a partilha
da nostalgia do momento
neste encontro suspirado.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Bailamos


Bailamos
numa sequência trémula,
no frenesim do toque
que só acontece
depois…
do fingimento
de uma timidez propositada.
Nos sinais
que o íntimo permite,
saboreamos
um turbilhão silencioso
na loucura
de loucos amantes,
saciando
na penumbra libidinosa,
lasciva,
devaneios
secretos
em espasmos de corpos
numa redenção
calma….
quase cândida.

Segredos bebidos
em cálices de erotismo
á luz do luar.