terça-feira, 27 de novembro de 2007
sábado, 24 de novembro de 2007
Transmuto-me
Transmuto-me…
Sou o que tu quiseres!
Madrugo em segredos,
pestanejo canduras
em múltiplas seduções,
íntimas brumas
que os silêncios exigem.
De mansinho
devolvo ao chão
as roupas que me cobrem.
Teu olhar enche-se
de desejos,
inventas gestos no momento
ora delicados,
ora embriagados
numa latência deslumbrante.
O teu nobre título
ficou à porta…
Agora, és macho pujante,
ousado,
degustas deliciado
o festim que te ofereço.
Colei ao meu corpo
pele de felina.
Transfigurei-me
para saciar a tua essência
oculta, dissimulada…
até de novo vestires
o nobre título, que ficou
do outro lado da entrada!
         assinado "Acompanhante de Luxo"
Postado por
Rosa Maria Anselmo
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18:03
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quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Suspiro indomável
Suspiro indomável
neste peito aberto
a carícias atrevidas,
beijos servidos
em labaredas de sabores.
Percorre meu corpo
com teu olhar sedutor,
deita-me em cama
tecida de luares de prata,
desfeita de pudores.
Cola teu corpo ao meu
num abraço tão leve..
quase depravado…
Espero-te num calor desatinado
sôfrego
e nesta tormenta meu amor
suspiro por ti,
desenho flores em mim
visto pedaços de luxúria
ofereço-me em taças de doce licor
que em ti vou beber
gota a gota
numa volúpia consentida,
consumada...
em nós.
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Rosa Maria Anselmo
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12:19
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007
São coisas menores
São coisas menores,
migalhas de pássaro livre
que esvoaça no céu
onde teu olhar se inclina.
Em suspiros doces,
feitos de néctar de flores dispersas,
quebranto-me
em nicho de esperança
e sonhos utópicos
de noites partilhadas.
O vento diz-me teu nome
amaciando a quentura
da minha espera.
Esta noite
serão coisas maiores,
as migalhas
soltei-as em chão que fará brotar
saudade em forma de rosas.
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Rosa Maria Anselmo
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19:17
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domingo, 18 de novembro de 2007
Um ser
Um ser
apenas carente
talvez sem significado
de existir.
Cansado, rigoroso.
não tentes conhecê-lo,
não tentes cativá-lo.
Procura nas suas chagas
e certamente
encontrarás um porquê
              (a vida o que é senão,
              mais um passo certo para a morte?)
Que a morte venha longe.
Não procures certezas
na sua vida incerta
Tenta amá-lo, receberás desconfiança.
Brinca com ele, cavarás mais depressa
a sepultura da sua existência
sem motivo, sem sentido.
Procura nos confins da noite
o seu leito
a sua marginalidade
e vais encontrá-lo..
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Rosa Maria Anselmo
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22:48
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segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Acende
Acende
reacende o desejo contido
de estar nos teus braços
em favos de mel
construídos beijo a beijo.
Deposita teu desejo
possui-me
desmedida e
furiosamente.
Lembra
relembrando-me
toques secretos
suores viscerais
e em diadema de amor
construiremos afagos
em edifício sagrado
de corpos nus, entrelaçados
em sargaço de paixão
num delírio feroz
de amor, prazer
delícia divina.
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Rosa Maria Anselmo
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19:49
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Não adormeças

Não adormeças
nas palavras não ditas
nos silêncios propositados,
olhares desvalidos
em malmequer de saudades.
No abraço sentido
ainda não tocado,
- só nas margens deste querer
vou-me entregando
lenta, lentamente
num diálogo consentido
em jardins de rosas
até a noite tocar o sol,
no silencioso desconhecimento
de mim…
Não adormeças
sem que nossas íris se encontrem
e no contiguidade
que o oceano nos promete,
fugitiva não serei
do charme que me ofereces
em tapetes de sedução,
serenatas em forma de seixos lisos
prendas de mar …
…que nos estreita.
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Rosa Maria Anselmo
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13:52
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quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Quero perder os sentidos
Quero perder os sentidos
nesta paixão
consumida
pelas teias do esquecimento.
Vibrar no encanto
do reencontro.
Adormecer sonhando
teu rosto juvenil
que o tempo
tornou desconhecido.
Dói esta dor
de nada sentir.
Mágoa adormecida,
anestesiada,
escondida simplesmente
num esquecimento
consciente.
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Rosa Maria Anselmo
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14:44
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segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Procuro no encontro do silêncio

Procuro no encontro do silêncio
uma ausência disfarçada de queixume.
Divago nas ondas de um céu anilado
o meu corpo desnudado de inocência.
Encontro conchas herméticas,
tropeço na espuma da memória,
emudeço no reencontro de uma luz.
Andorinha presa
desejosa de voar sem rumo
à procura de um utópico lugar.
E as asas, essas agrilhoadas
por medos, contradições e ânsias
disfarçadas numa atitude altiva
de capa impermeável
e limites limitados.
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Rosa Maria Anselmo
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12:06
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domingo, 4 de novembro de 2007
sábado, 3 de novembro de 2007
Solto-me em dança

Solto-me em dança
esta noite.
O lago do meu corpo
espera-te
neste labirinto de desejos.
Trémula,
me entrego a ti
que não tens face…
teu rosto surge
da vigília nocturna.
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Rosa Maria Anselmo
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11:23
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sexta-feira, 2 de novembro de 2007
02 de Novembro
Nesta saudade renovada
dia a dia,
florescem sinais no horizonte
tão pequenos,
tão singulares
que me fazem ir ao teu encontro.
Aqui estou
numa tagarelice ligeira,
tratando por tu
as coisas do presente.
As rosas, sempre vermelhas,
fazem-nos companhia
abrem-se á frescura do diálogo.
O sol, esse não fugiu,
oferece-nos o calor
que nos falta….
E esta brisa,
que por nós passa ,
nos trespassa,
alegra-se
pelos sorrisos trocados.
Sim, aqui estou!
…
          Sentada na laje preta,
           granítica,
            que cobre o teu corpo.
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Rosa Maria Anselmo
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06:30
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terça-feira, 30 de outubro de 2007
Nas orlas de um tempo lento
Nas orlas de um tempo lento,
num rosário de penas
em forma de lágrimas,
aí…
ajustar-me-ei descalça
na fragilidade do meu querer
ou na fragrância
da minha timidez.
Desenharei, em círculos
e voos rasgados,
o meu sorriso frágil,
envergonhado.
Aqui,
na janela do teu ser
ficarei…
retida,
(numa partida adiada)
à espera
que me aprendas!
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Rosa Maria Anselmo
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23:49
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segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Não me apresses

Não me apresses
que estou calma,
calada
para todos me ouvirem.
Os momentos desta espera
são únicos,
não te impacientes
ficarei calma assim:
sossegadamente
silenciosa.
         (dela
          tenho sede)
Olha-me com atenção,
que desatentos
não quero mais.
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Rosa Maria Anselmo
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14:21
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sábado, 27 de outubro de 2007
A manhã aclarara
A manhã aclarara,
o barulho da madrugada
tinha agora um ritmo contagiante.
Rostos sonolentos,
pinturas ainda frescas,
sorrisos envergonhados,
livros abertos nas mãos,
numa última leitura apressada.
Aninhava-se a criança
no regaço doce e quente,
como se o joão-pestana
não a tivesse despertado.
Faziam todos eles,
parte desta aguarela
colorida à pressa....
E na curva do relógio,
estúpido,
estavas lá.
De mochila ao ombro,
sorriso ao fundo da vida,
monstro,
vi bem o teu rosto.
Morri ontem
e não pereci sozinho.
Foram muitos
os companheiros
desta viagem
sem bilhete de regresso.
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Rosa Maria Anselmo
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12:51
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sexta-feira, 26 de outubro de 2007
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Esqueci o teu nome
Esqueci o teu nome,
lembro apenas o rosto
e as lágrimas
que caíram nas minhas mãos.
Abraçavas a morte e o desamor
numa balada imperfeita
em tons de enredos mentais
tão dolorosos.
Afaguei ao de leve
teu verde olhar,
que de tão verde
a esperança se despiu
-vestiu-se de negro.
Não fiz parte desse quadro
pincelado rudemente
com bofetadas alisadas
por silêncios suicidas.
Paralisada, amarfanhada
de mim, fui autista.
Esqueci o teu nome,
guardei tuas lágrimas
e com elas me lamento.
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11:32
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terça-feira, 23 de outubro de 2007
Junto faces cristalinas
Junto face cristalina
na tua mão aberta,
perco meus medos
e rendo-me dócil
numa aurora dengosa.
Em traje de guerreira
sem lanças
sem punhais…
apenas lenços de cetim
guardam beijos de paixão
dobrando as horas
do encontro clandestino.
Nessa tua mão aberta,
deposito minha virgindade
e entre o nevoeiro
moldas as tuas mãos
no volume deste corpo
que flutua,
na cumplicidade do luar
no imenso e no tanto…
na dança dos adormecidos.
E eu…
fico desperta,
esperando a madrugada
de todos os outros dias.
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Rosa Maria Anselmo
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19:02
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Sente o cheiro das lágrimas

Sente o cheiro das lágrimas,
procura no jardim
a flor mais lassa
e vais perceber
que aí, eu estou.
A luz deve estar
ainda acesa
entre as duas e as três
- sabes que deambulo
perdida nas minhas insónias,
encontrada nos mimos
que o silêncio me oferta -.
Pensa,
pensa em mim
mas sem mágoas,
porque essas,
levei-as comigo
para não te atormentares.
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Rosa Maria Anselmo
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15:23
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Quarteto- Vanda - Vera - Manuela - Rosa Maria
Desconhecido
Dispo-me de sentimentos
roço nas esquinas da alma
levo espumante para saciar tua pele
-entorna-o no meu corpo
lascivo, provocante.
Beija meus lábios de morango
com o chantilly da tua boca,
vem, toma-me como tua
ficarei nua nos teus versos
possui este corpo que te grita
-Sou selvagem devora-me!
Faz do teu corpo o meu lençol,
adoça-me em delírio
sem juízo, sem limites
alaga-me em sorrisos e desejos
como se mais nada importasse...
Faz-me tua, nesta maresia de sentidos,
louca loucura tua, amante.
E sem receio da alma nua,
descobre os segredos contidos
quebra-me a rocha do silêncio e vem
viril, macho,
… meu desconhecido.
Apeteceu-me recordar uma louca noite, entre gargalhadas e pura amizade.... nasceu assim este poema "Desconhecido", feito a quatro mãos! Ah... este poema foi lido no almoço do lançamento do livro da Manuela, para todos os presentes! Um beijinho a cada uma de vós.
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Rosa Maria Anselmo
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12:51
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