sábado, 5 de janeiro de 2008

Despe-me palavra a palavra

Despe-me palavra a palavra
deixa-me sair da epiderme
que me envolve
nesta camuflagem que inibe
gestos, aromas
ritmos sedentos do teu ser.

Despe-me sem pressas, meigamente,
deslizarei sedutora
nas ondas do teu corpo
faminto de nossos afagos,
em tardes escaldantes
onde a brisa acalma
o fogo incendiário
que nos devora.

Despe-me…
despindo-te de segredos,
medos,
vontades contidas em soluços.

E depois..
veste-me de silêncios….

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Libertam-se as palavras

Libertam-se as palavras
suavizo teu nome
planto-me em rosas
no teu caminho,
prometo-me em perfume
discreto, suave, perturbador
numa madrugada abrasada
ou noite por acontecer.
Em cada palavra
desfolho-me desvanecida
em saudades..
Agasalho-me em ti
numa quietude orvalhada,
em fusão de sabores e cheiros
teus, meus…
sem medos
e nesta embriaguez desfaleço,
em privacidade sem tempo,
sem urgência..
prenhe de sonhos.

domingo, 23 de dezembro de 2007

24.12.2007 - para todos os amigos


Queridos amigos

Estou na minha cozinha, de avental vermelho, a condizer com as flores típicas desta quadra festiva. A farinha, o açúcar, ovos, pão das rabanadas, a canela, o chocolate para aquele doce mais especial, misturam-se por entre os meus dedos.
O calor da lareira aquece ainda mais o já doce e terno ambiente da minha pequena família.
A mesa, já enfeitada a preceito, sente a falta de muita gente… Os mimos a serem trocados, estão elegantemente entrelaçados entre a árvore decorada a branco e dourado e o singelo presépio de barro colorido.
Há musica no ar, brilho nos olhares marotos que não deixam arrefecer as filhós acabadas de fritar, e a taça dos sonhos que teima em estar já quase vazia…

É Natal. Noite mágica! Noite de afectos, de amor, do nascimento!

Mas… quisera eu transformar todo este festim, em pequenas partículas de vida, alegria, dignidade e espalha-las em tantos cantos e recantos…
Fica-me apenas a vontade.. como egoísta que sou… só o digo… não o faço!

Um carinhoso beijo
Rosamaria

musica ** ´Natal

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Desassossego-me

Desassossego-me
nesta ânsia de te ver
só de longe meu amor
só de longe…
O brilho do meu olhar
está agora nas tuas mãos
e eu que não as toco
nem de leve
nem ao de leve…

(assim… sentes?)

O frio entranhou-se-me na alma,
não foi o inverno que chegou,
é a tua ausência.
Regressa, depressa
num voo rasgado
que meu peito suspira…
E olha-me
olha-me nos olhos
vê todo o meu amor
neste sorriso envergonhado.
Veste-me de carinho
despir-me-ei de lágrimas
e num cântico envolvente
em notas soltas de paixão
serei sempre tua.. por inteiro.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Perdi-me no bosque


Perdi-me no bosque
da ilusão,
de diálogos interditos
vacilei entre a calma
imperativa
e o enigma dos sinais omissos.
Divaguei
entre a sombra tecida
de finos, quase invisíveis
raios de lucidez
maturados de súplicas olvidadas.
Nesta insónia,
que me engole lentamente,
adormeço sabores, doces
celestes, quase virgens.
Transfiguro-me
numa cegueira lacustre
deito o corpo cansado,
fustigado,
nas quilhas de árvores
desse bosque ilusório
tecendo fio a fio
a teia do esquecimento…

(que me serve de leito)

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Havia Silêncio

Havia silêncio.
A música despia-se
pétala a pétala
numa torrente
de átomos quase áureos.
Eram muitas as almas
que, emudecidas,
sorviam gota a gota
do tempo que ora corria,
ora era dolorosamente lento.
A voz,
aconteceu.
Era um menino
tímido, envergonhado,
sem a consciência
consciente
da grandeza do seu pertence.
Os mimos soltaram-se
em lágrimas
que rolaram
completamente afónicas.

Foi um momento
apenas e só um momento
de pura verdade,
de encontro
entre a nudez da simplicidade
e o cálice
que guardava sonhos!

Foi nessa calmaria,
em solo sagrado de ternura,
que te ofereci
unicamente
e em silêncio
o orvalho dos meus olhos.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Encruzilhada - Desafio


Fui desafiada pela Vera de Carvalho para me ligar a esta ENCRUZILHADA: Compôr um post em prosa/conto ou poesia com o título dos últimos 10 posts, usando outras palavras, pelo meio, para dar sentido ao todo.



02 de Novembro, meu amado

Neste e noutros dia, amado
deixo que me leves
tão leve
que são coisas menores
estes medos que paralisam…
Quero perder os sentidos
quando... enfeitiçada,
procuro no encontro do silêncio
a tua voz
o teu cheiro
e em marés cheias
solto-me em dança
no tabuleiro da tua paixão.
Nas orlas de um tempo lento
não adormeças amor,
mas não me apresses
acende apenas
com teus lábios de fogo
um ser
que se alimenta
do teu respirar
de tuas mãos doces
numa aurora límpida
dos nossos sentidos.



Gostei deste desafio e escolhi 6 blogs de amigos, onde me parece que possa ficar bem este tipo de desafio...

Cleo
Vera Silva
Luis Ferreira
Maria
Collibry
Lúcia Machado

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Preciso de falar







Preciso de falar
tarde
ou nunca...
preciso de transmitir
este diálogo
mudo
de mim...

para ninguém.

sábado, 24 de novembro de 2007

Transmuto-me

Transmuto-me…
Sou o que tu quiseres!
Madrugo em segredos,
pestanejo canduras
em múltiplas seduções,
íntimas brumas
que os silêncios exigem.
De mansinho
devolvo ao chão
as roupas que me cobrem.
Teu olhar enche-se
de desejos,
inventas gestos no momento
ora delicados,
ora embriagados
numa latência deslumbrante.
O teu nobre título
ficou à porta…
Agora, és macho pujante,
ousado,
degustas deliciado
o festim que te ofereço.

Colei ao meu corpo
pele de felina.
Transfigurei-me
para saciar a tua essência
oculta, dissimulada…
até de novo vestires
o nobre título, que ficou
do outro lado da entrada!

         assinado "Acompanhante de Luxo"

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Suspiro indomável

Suspiro indomável
neste peito aberto
a carícias atrevidas,
beijos servidos
em labaredas de sabores.
Percorre meu corpo
com teu olhar sedutor,
deita-me em cama
tecida de luares de prata,
desfeita de pudores.
Cola teu corpo ao meu
num abraço tão leve..
quase depravado…
Espero-te num calor desatinado
sôfrego
e nesta tormenta meu amor
suspiro por ti,
desenho flores em mim
visto pedaços de luxúria
ofereço-me em taças de doce licor
que em ti vou beber
gota a gota
numa volúpia consentida,
consumada...
em nós.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

São coisas menores

São coisas menores,
migalhas de pássaro livre
que esvoaça no céu
onde teu olhar se inclina.
Em suspiros doces,
feitos de néctar de flores dispersas,
quebranto-me
em nicho de esperança
e sonhos utópicos
de noites partilhadas.
O vento diz-me teu nome
amaciando a quentura
da minha espera.

Esta noite
serão coisas maiores,
as migalhas
soltei-as em chão que fará brotar
saudade em forma de rosas.

domingo, 18 de novembro de 2007

Um ser

Um ser
apenas carente
talvez sem significado
de existir.
Cansado, rigoroso.
não tentes conhecê-lo,
não tentes cativá-lo.
Procura nas suas chagas
e certamente
encontrarás um porquê

              (a vida o que é senão,
              mais um passo certo para a morte?)

Que a morte venha longe.

Não procures certezas
na sua vida incerta
Tenta amá-lo, receberás desconfiança.
Brinca com ele, cavarás mais depressa
a sepultura da sua existência
sem motivo, sem sentido.
Procura nos confins da noite
o seu leito
a sua marginalidade
e vais encontrá-lo..

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Acende

Acende
reacende o desejo contido
de estar nos teus braços
em favos de mel
construídos beijo a beijo.
Deposita teu desejo
possui-me
desmedida e
furiosamente.
Lembra
relembrando-me
toques secretos
suores viscerais
e em diadema de amor
construiremos afagos
em edifício sagrado
de corpos nus, entrelaçados
em sargaço de paixão
num delírio feroz
de amor, prazer
delícia divina.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Não adormeças


Não adormeças
nas palavras não ditas
nos silêncios propositados,
olhares desvalidos
em malmequer de saudades.
No abraço sentido
ainda não tocado,
- só nas margens deste querer
vou-me entregando
lenta, lentamente
num diálogo consentido
em jardins de rosas
até a noite tocar o sol,
no silencioso desconhecimento
de mim…
Não adormeças
sem que nossas íris se encontrem
e no contiguidade
que o oceano nos promete,
fugitiva não serei
do charme que me ofereces
em tapetes de sedução,
serenatas em forma de seixos lisos
prendas de mar …

…que nos estreita.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Quero perder os sentidos

Quero perder os sentidos
nesta paixão
consumida
pelas teias do esquecimento.
Vibrar no encanto
do reencontro.
Adormecer sonhando
teu rosto juvenil
que o tempo
tornou desconhecido.
Dói esta dor
de nada sentir.
Mágoa adormecida,
anestesiada,
escondida simplesmente
num esquecimento
consciente.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Procuro no encontro do silêncio


Procuro no encontro do silêncio
uma ausência disfarçada de queixume.
Divago nas ondas de um céu anilado
o meu corpo desnudado de inocência.
Encontro conchas herméticas,
tropeço na espuma da memória,
emudeço no reencontro de uma luz.

Andorinha presa
desejosa de voar sem rumo
à procura de um utópico lugar.

E as asas, essas agrilhoadas
por medos, contradições e ânsias
disfarçadas numa atitude altiva
de capa impermeável
e limites limitados.

domingo, 4 de novembro de 2007

musica ** Whitney Houston

sábado, 3 de novembro de 2007

Solto-me em dança



Solto-me em dança
esta noite.
O lago do meu corpo
espera-te
neste labirinto de desejos.

Trémula,
me entrego a ti
que não tens face…

teu rosto surge
da vigília nocturna.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

02 de Novembro

Nesta saudade renovada
dia a dia,
florescem sinais no horizonte
tão pequenos,
tão singulares
que me fazem ir ao teu encontro.
Aqui estou
numa tagarelice ligeira,
tratando por tu
as coisas do presente.
As rosas, sempre vermelhas,
fazem-nos companhia
abrem-se á frescura do diálogo.
O sol, esse não fugiu,
oferece-nos o calor
que nos falta….
E esta brisa,
que por nós passa ,
nos trespassa,
alegra-se
pelos sorrisos trocados.
Sim, aqui estou!

          Sentada na laje preta,
           granítica,
            que cobre o teu corpo.