Em brumas me perdi
Em brumas me perdi
por um vendedor de sonhos.
Numa dolência quase trágica
delirei e por ti chamei,
num passo compassado
detive-me no memorial de nós:
em trajes de mendiga me reconheci.
Despudoradamente inquieta
bordei em filigrana meu nome
e na forma de rosa
me plantei
para por ti ser renascida.
Crispei-me de medos,
angustias,
delírios
e em azulejos ou vitrais
reproduzi o sonho do vendedor.
Parei numa rua,
parei-a para que todos
se ofuscassem nele.
Mas, ninguém o quis.
A rua de novo se abriu
e eu… de mãos dadas
lá fui … sem o vendedor
mas... com os sonhos!














