quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Vento agreste


O frio chegou novamente.
Treme o corpo ao vento agreste
que se entranha nos poros contraídos
sem protecção, sem medos.
Pedaços de um agasalho
já tão gasto desse frio inconstante,
que não aquece, arrefece.


E treme de novo o corpo.
Já é hábito, não o incomoda.
Mas faz tanto frio!
É gélida a nostalgia do momento,
é sulco que se forma pelo desgaste,
é emoção perdida, que não se encontra,
é vã a procura de uma chama.


E o corpo treme de novo
pelo frio que já não o encontra.

2 comentários:

Nilson Barcelli disse...

E o corpo treme de novo
pelo frio que já não o encontra...

Os teus poemas são muito belos. Gosto de os ler.

Um beijo.

Doutor Azágua disse...

Profundo e joga com a alma. Lindo mesmo! Parabéns!