domingo, 18 de novembro de 2007

Um ser

Um ser
apenas carente
talvez sem significado
de existir.
Cansado, rigoroso.
não tentes conhecê-lo,
não tentes cativá-lo.
Procura nas suas chagas
e certamente
encontrarás um porquê

              (a vida o que é senão,
              mais um passo certo para a morte?)

Que a morte venha longe.

Não procures certezas
na sua vida incerta
Tenta amá-lo, receberás desconfiança.
Brinca com ele, cavarás mais depressa
a sepultura da sua existência
sem motivo, sem sentido.
Procura nos confins da noite
o seu leito
a sua marginalidade
e vais encontrá-lo..

3 comentários:

Manuela Fonseca disse...

Um poema que nos pode falar de velhice, de sem abrigo, de solidão...

Magnífico!!

Beijinhos*
Manuela

Maria disse...

Um poema que me perturba, porque me perturbam os sem abrigo....
Quantas vezes se lhes oferece uma casa, um quarto, e ao fim de 2 ou 3 dias voltam para a rua, porque não gostam (?) não querem (?) já não se sentem bem (?) numa casa....

Beijos

impulsos disse...

A morte... única certeza da vida!

O teu poema é um grito lançado no infinito... sem eco...
Adorei e fez-me lembrar este meu:

São as sombras que se arrastam na noite escura...
A vida que não se vive
Enquanto a dos outros adormece...

São as almas sem rumo
Que se passeiam pelo infinito
Do deserto das suas vidas... perdidas...

Fruto das escolhas malditas!...

Mais uma noite
Mais uma penitência
Mais um festejo de dor... sem amor...

E lá vou eu pela rua
Absorto... meio morto...
Vou de encontro a abismos... esquecidos...

Acho que me perdi no caminho
Não sei o que faço aqui...
Só sei que me perdi... de mim...

Avisto a morte ali ao fundo
A única certeza que me resta
Desta vida que não tenho

Perdi tudo... tudo...
Fiquei sem nada... um farrapo de gente
E ela não tarda!...


[YouTube:D4vl33tjmLE]

http://br.youtube.com/watch?v=D4vl33tjmLE&eurl=http://sol.sapo.pt/blogs/solemio/default.aspx

Saio em silêncio...

Beijo