sábado, 27 de outubro de 2007

A manhã aclarara

A manhã aclarara,
o barulho da madrugada
tinha agora um ritmo contagiante.
Rostos sonolentos,
pinturas ainda frescas,
sorrisos envergonhados,
livros abertos nas mãos,
numa última leitura apressada.
Aninhava-se a criança
no regaço doce e quente,
como se o joão-pestana
não a tivesse despertado.
Faziam todos eles,
parte desta aguarela
colorida à pressa....

E na curva do relógio,
estúpido,
estavas lá.
De mochila ao ombro,
sorriso ao fundo da vida,
monstro,
vi bem o teu rosto.

Morri ontem
e não pereci sozinho.
Foram muitos
os companheiros
desta viagem
sem bilhete de regresso.

2 comentários:

Manuela Fonseca disse...

Num dia, todos fazemos parte. No outro dia, a curva do relógio é implacável...

Gostei!

Beijinhos*
Manuela

Nilson Barcelli disse...

Este teu poema, mesmo estando muito bem escrito, é para mim um enigma, pois não consigo ter a certeza do contexto da narrativa.
Tempos de guerra?
De internato num colégio?
Enfim, não será importante, cada um situará o poema de acordo com a sua imaginação. E isso também é interessante na poesia...
Boa semana, beijinhos.