sábado, 1 de setembro de 2007

Afastei-me tanto

Afastei-me tanto
que já não reconheço
nem a cor
nem a dor.

As feridas,

(testemunho do tempo
que percorri
no sentido inverso)

cobriam a alma
numa penitência
constante.
Faço um esboço
de um projecto futuro
e entre palavras
soltas,
encadeadas,
emudeço
no encontro
de recordações,
ou nas rugas
que a idade me consagrou

2 comentários:

Manuela Fonseca disse...

Este poema está delicado, como todos os que escreves. Mas este tem uma qualquer coisa que sinto cá dentro e me apraz de sedução... Gosto de poesia que me faça sentir...

Nilson Barcelli disse...

Rugas, não as vi.
Mas, se as tens, são belas de certeza.
Um beijo.